27 de agosto de 2026
Newsletter #01: O jornalismo está mudando — e rápido.
Lucas Janone
📰 RADAR DO JORNALISMO #01
O que movimentou o mercado — e por que isso importa para a sua carreira.
Pessoal, estreia hoje uma das entregas semanais do nosso VIP.
Toda quinta-feira, vou separar alguns movimentos importantes do jornalismo, da mídia e do mercado para a gente entender não só O QUE ACONTECEU, mas principalmente O QUE ISSO MUDA PARA QUEM TRABALHA OU QUER TRABALHAR NA ÁREA.

Vamos aos destaques da semana 👇
🤖 1. FOLHA X PERPLEXITY: QUEM PAGA PELA INFORMAÇÃO PRODUZIDA PELO JORNALISMO?
A Folha de S.Paulo entrou na Justiça contra a Perplexity AI, acusando a empresa de utilizar conteúdos jornalísticos sem autorização e sem remuneração, inclusive materiais protegidos por paywall. A discussão envolve direitos autorais, modelos de IA e a remuneração de quem produz a informação.
💡 POR QUE ISSO IMPORTA?
A IA não está mudando apenas COMO jornalistas trabalham. Ela está mexendo no próprio modelo de negócio do jornalismo.
Se uma ferramenta consegue entregar ao usuário a informação produzida por uma redação sem que ele precise acessar aquela reportagem, surge uma pergunta enorme para o nosso mercado:
QUEM FINANCIA A PRODUÇÃO DA INFORMAÇÃO ORIGINAL?
Essa é uma discussão que todo jornalista deveria acompanhar de perto.
🔎 2. ELEIÇÕES 2026: SABER CHECAR CONTEÚDO DIGITAL VAI SER CADA VEZ MAIS IMPORTANTE
O UOL Confere anunciou que vai reforçar sua operação de checagem entre setembro e novembro e mantém um canal no WhatsApp dedicado à verificação de conteúdos suspeitos.
O alerta não é pequeno: dados citados pelo UOL mostram que o Brasil concentrou cerca de 39% dos casos de deepfake registrados na América Latina em 2025 e que ataques com imagens, vozes e identidades falsas cresceram 126% no país em relação ao ano anterior.
💡 POR QUE ISSO IMPORTA?
Checar informação sempre foi uma obrigação do jornalista.
A diferença é que agora não basta desconfiar de um texto ou confirmar uma declaração.
VÍDEO, ÁUDIO E IMAGEM TAMBÉM PRECISAM SER TRATADOS COMO MATERIAL A SER VERIFICADO.
Para quem está começando, eu colocaria alfabetização digital e checagem de conteúdos produzidos por IA na lista de competências para desenvolver AGORA.
📱 3. AS PESSOAS NÃO ESTÃO CONSUMINDO NOTÍCIA EM UM LUGAR SÓ
Uma pesquisa com 107 executivos brasileiros mostrou um consumo de informação cada vez mais fragmentado. Entre 2021 e 2026, o uso frequente do Instagram para informação passou de 43% para 70% entre os entrevistados. Podcasts também ganharam espaço. Ao mesmo tempo, a mídia tradicional continua tendo um papel importante de confiança e validação da informação.
E tem outro dado interessante:
90% usam IA generativa no trabalho, mas apenas 28% dizem recorrer a ela para acompanhar o noticiário.
💡 POR QUE ISSO IMPORTA?
O jornalista que sabe produzir apenas para UM formato vai disputar espaço com quem consegue pensar a mesma informação para várias plataformas.
Texto. Vídeo vertical. TV. YouTube. Podcast. Newsletter. Redes sociais. Isso não significa que você precise dominar tudo.
Mas significa que ENTENDER COMO A INFORMAÇÃO MUDA DE LINGUAGEM DE ACORDO COM A PLATAFORMA É UMA HABILIDADE PROFISSIONAL CADA VEZ MAIS VALIOSA.
E é também por isso que eu bato tanto na tecla da autoridade digital.
📺 4. A NOVA GLOBONEWS É UM BOM RETRATO DE COMO AS REDAÇÕES ESTÃO MUDANDO
A GloboNews completa 30 anos em 2026 e inaugurou uma nova redação no Rio de Janeiro.
O espaço reúne mais de 100 jornalistas trabalhando de forma integrada, tem novos estúdios e amplia recursos para cobertura em tempo real, dados e análises. O canal também vem aumentando sua presença digital e no YouTube.
💡 POR QUE ISSO IMPORTA?
Pra mim, esse movimento mostra algo importante para quem sonha em trabalhar em grandes redações:
AS FUNÇÕES ESTÃO CADA VEZ MENOS ISOLADAS.
TV conversa com digital.
Ao vivo conversa com redes sociais.
Texto conversa com vídeo.
Apuração conversa com análise de dados.
O jornalista do futuro não precisa fazer absolutamente tudo — mas precisa entender o ecossistema em que a notícia circula.
🧠 5. IA NÃO ESTÁ SÓ ELIMINANDO TAREFAS. ELA ESTÁ MUDANDO O QUE AS EMPRESAS ESPERAM DAS PESSOAS.
A PwC analisou mais de 1 bilhão de anúncios de vagas em seu Barômetro de Empregos de IA 2026.
No Brasil, a participação das vagas que exigem competências relacionadas à IA passou de 1,1% para 3,6% entre 2024 e 2025.
Mas o dado que eu acho mais interessante é outro: Nas ocupações mais expostas à IA, estão ganhando importância habilidades humanas como JULGAMENTO, CRIATIVIDADE, EMPATIA E PENSAMENTO ESTRATÉGICO.
💡 E O QUE ISSO TEM A VER COM JORNALISMO?
Muito.
A IA pode resumir.
Pode transcrever.
Pode organizar informações.
Pode ajudar a pesquisar.
Mas decidir O QUE É NOTÍCIA, EM QUEM CONFIAR, QUAL PERGUNTA FAZER, QUAL É O CONTEXTO E COMO CONTAR UMA HISTÓRIA continua exigindo julgamento jornalístico.
Por isso, eu não teria medo de aprender IA. Eu teria medo de ser o profissional que decidiu ignorá-la.

🎯 SE EU ESTIVESSE COMEÇANDO NO JORNALISMO HOJE, TIRARIA 3 COISAS DESSA SEMANA:
1️⃣ APRENDERIA A USAR IA, MAS INVESTIRIA AINDA MAIS EM APURAÇÃO E PENSAMENTO CRÍTICO.
2️⃣ TREINARIA MINHA CAPACIDADE DE PRODUZIR E ME COMUNICAR EM MAIS DE UM FORMATO.
3️⃣ COMEÇARIA A CONSTRUIR MINHA AUTORIDADE DIGITAL ANTES MESMO DE CONSEGUIR O CRACHÁ QUE EU QUERO.
Porque o mercado está mudando.
